sábado, 1 de maio de 2010

Maria




Todas as Marias são belas
Brancas, pardas e amarelas,
Flor, sol e Mar...

Maria de Deus,
Maria de Mar,
Maria de muitos, Maria sem par,

Maria das partidas,
Maria das chegadas,
Maria lutadora, Maria pacifista...

Maria da canção, Maria da labuta,
Maria sem cansaço, Maria dos Irmãos,


Maria do abraço,

Maria de muitas Helenas, Sônias, Irleides, Saletes e Mônicas, Maria Luiza, Maria virgem,
Maria Iluminada...



Maria é um dom, Maria é um som e
De todas as Marias, duas me são especiais
Maria mãe de Deus, Maria mãe de MARA.


Autora: Rubia

domingo, 4 de abril de 2010

Clarice

Dias de sumiço, nevoeiro frio, interiorização, dias de ler Clarice, poderia ser só isso, mas primeiro tem que ler chapeuzinho vermelho pro meu filho mais novo, contar e recontar histórias, fazer sopa de letrinhas e estudar o que eu já sei.


Dias de sentir Clarice, sua profundidade, mas também são dias de brincar com eles, curtir a 7ª arte em animação, em 3 D, dias de compartilhar, esquecer de mim, um ser individual...


Estou feliz e triste, paradoxo, confusão. Gostaria de mergulhar em busca de interiorização, buscar não o que está fora e sim dentro, mas... Dirijo no automático, tem inglês do mais velho, em seguida natação, está próximo o campeonato e toda a expectativa de fazer um bom tempo... O meu está lotado de atividades que não são minhas, e eu gostaria apenas de ler Clarice, em paz.


Tem a lição de casa, e o título sugere, “conhecendo o corpo” e as perguntinhas básicas sobre as diferenças de ser menina e menino, sistema reprodutor, me esforço pra não sair do roteiro, não relativizar as diferenças, e assim acabar confundindo a cabecinha do menino, me deixe quieta... Sigo o roteiro e deixo as discussões mais polêmicas para mais tarde, quem sabe a sombra de um coqueiro numa praia paradisíaca, eu com minha hula hula e eles, rapazes inteligentes e descolados discutindo as diferenças e relativizando tudo ou quase tudo... Será que só então poderia terminar de ler Clarice de uma só vez e fôlego?


Certo dia, vi o roteiro com sugestões de autores que meu filho deveria ler, passei a vista ligeira e ansiosa pelos nomes, Lemony Snicket, Vinicius de Morais, Ganymédes José, Saint-Exupéry, Ivan Jaf, entre outros que não recordo agora, só lembro-me do desapontamento em não ver na considerável lista o nome de Clarice, quem sabe assim poderia não só ler, mas discutir com meus filhos essa autora de “sensibilidade inteligente” como ela mesma se definiu em um dos seus textos.


Mas, não posso ser intransigente e pensar só em mim, preciso agora ter a amabilidade como companheira, se não estarei sujeita ao crivo de má mãe, e esse título eu não quero ter, nesse impasse vou deixando Clarice para outras horas, talvez aquelas que antecedem o sono, mas Clarice é intensa demais pra esperar e eu acabo sempre dormindo com o livro aberto sobre meu coração ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ


Autora: Rubia

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Mara’s as voltas com o Prego-Ponta-Cabeça

Das revoluções tecnológicas, seus novos conceitos e sua liquidez moderna. Esse foi o tema que fluiu de uma resenha animada entre pais preocupados e atentos ao futuro, onde esse futuro está inserido o bem mais precioso: nossos filhos.
Nós pais, ascendentes a modernos somos muitas vezes pagadores de “micos”, e para acompanhar os nossos desbravadores da velocidade temos que nos munir de ferramentas necessárias para desvendar códigos, e é assim que momentos de encontros como esses são necessários para conhecer o mundo novo, mundo de relações de bolso” expressão usada no livro Amor Líquido de Bauman, para se referir a instantaneidade de como elas acontecem e dissolvem-se.
E das inovações, velocidades, moldagens, redes, domínio das moléculas, no meio do caminho, não uma pedra como frisou Drummond, mas um prego de ponta e cabeça, resistente a tudo isso, imutável ao tempo, assim defendeu um amigo.
De todas as “viagens” intituladas lunáticas ou não, essa foi sem dúvida a mais irreverente da noite, o p r e g o como tema principal, o ator central roubando a cena das nossas crianças no mundo da invisibilidade, deixando-as como coadjuvantes apenas hahahahahahaha me divertem muito noites assim... Mesmo depois, já em minha caminha, na penumbra do meu quarto, fiquei a remoer palavras, gestos, cenas hilárias e cada defesa empolgada ao prego. Como um simples prego pode ter tanta importância? Defendido com veemência, como só um doutorando no ápice de sua defesa, se empolga em minúcias daquilo que ele conhece tão bem. O prego é mesmo ”O PREGO” e todos concordamos com a defesa acalorada, estávamos mesmo atônitos em nos descobrir leigos e até insensíveis diante de tão inusitado assunto, sinceramente nunca havia pensado num prego dessa forma tão minuciosa. E enquanto nossas crianças entravam e saiam de suas brincadeiras, nós em círculo esmiuçando o prego não sentíamos o tempo passar...
O prego foi mesmo o prato principal da noite, defendido positivamente como um herói que resistiu a teia da tecnologia, perpassando por tempos de transformação sem deixar de ser apenas um prego. “E não me venha com churumelas”, faltou essa frase famosa no final do discurso que com certeza teria nos dado o prazer de boas risadas.


Autora: Rubia

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O contra ataque da ninja

Pense como deve ser trabalhoso ser uma ninja com suas tantas ações guerreiras, ter que saber usar o caminho sempre silenciosamente, pisando devagar, sem nem um mísero som no assoalho. E os seus poderes? Ahhhhhhhhhh seus poderes, recheados de muitas técnicas e mistérios. Quem já não sonhou em algum momento ser uma ninja? surgindo do nada, tendo como pano de fundo apenas uma fumaça, que pode ser de qualquer cor, o que vale mesmo é a emoção de ser... Ninja. Fico pensando em coisas assim, no contexto ou fora dele, mas pensando, porque pensando posso construir coisas, mesmo as não palpáveis tomam forma, é só ter o poder da imaginação, ai não precisa ser ninja, nem estar ninja, nem ter desejo ninja, é só fechar os olhos, ou não... Posso deixá-los bem abertos também pra me deixar levar na aventura de ser...
Com tudo isso, pretendo mesmo é confabular travessuras em dias amenos á sombra de grandes árvores e relembrar gargalhadas soltas e pensamentos velados, regados a muitos brinquedos e ao som de passarinhos. Dias assim, aparentemente normais, mas prazerosos, enriquecedores mesmos, dias da ninja se revelar e descobrir pessoas em flor, interessantes e com muito pra contar e acrescer. E o que é da natureza ninja nesses dias livres é o risco em pisar em folhagens secas pretendendo ser silenciosa, que insucessoooo até para a cautelosa e intitulada ninja, pois elas, as folhas te revelam a cada pisada graciosa, não tem jeito. E se da vida o melhor é colher desejos, melhor também é ignorar as espadas em línguas afiadas que não são de ninjas, pra que as quero? Então, o que fazer? Se deixar... Simplesmente.


Autora: Rubia

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Hino




Pessoas digam de mim o que desejarem... Se em alguns momentos me refugio, se procuro a noite e a sua sombra, o seu obscuro, o seu calafrio e o sereno que embaça os olhos, é para me resguardar. Encolho-me na mais profunda interiorização em busca do balsamo secreto, esse recolhimento não me deixa a margem de nada, estou atenta! Se ainda assim, quiseres dizer de mim... Estejam à vontade. Mesmo que eu não seja “ouvido”, serei complacente com a opinião de todos e me farei “boca” num lindo sorriso, mas não mudarei meu jeito de ser.
Se o meu momento for de atravessar desertos, irei à busca do Oásis, estarei leve, areia fina entre os dedos dos que pensam que me aprisionam com seus rótulos e preconceitos. Correrei mundo, serei vôo constante, e o vento será minha única companhia na aventura de ir, assim desbravarei os recantos do mundo gigante que não se esgota e não se dilui, apenas dorme em mim... Dorme em mim...
Saibam pessoas, a minha janela tem cortinas finas e estará sempre aberta, podem entrar com o sol, a noite enluarada, o assobio do vento ou com suas dúvidas e seus medos...
A disposição para os amigos é constante, mesmo os de opinião diferente, que se bifurcam num caminho qualquer, não me aflora os ânimos, respeito à diversidade de opiniões, respeito...
Então, digam o que desejarem! Sou melodia e assim como a melodia, sou conjunto de notas formando uma escala musical e, por conseguinte, meu hino.


Autora: Rubia

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Sou simples e disposta para as boas coisas. Amo o belo, mas a minha admiração maior é na alma. Por isso eu escrevo, e como diz Clarice... "Escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro...” Então, eu vou desabrochando a cada dia, com esperança, determinação, amor no corazón, tecendo minha vida, tal como uma linda aranha tece a sua fenomenal teia... Escrevo, sobretudo, "Porque encontro nisso um prazer que não consigo traduzir. Não sou pretensiosa. Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando"... Romântica? Profunda? Complexa? Não sei, traduza-me...