quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Hino




Pessoas digam de mim o que desejarem... Se em alguns momentos me refugio, se procuro a noite e a sua sombra, o seu obscuro, o seu calafrio e o sereno que embaça os olhos, é para me resguardar. Encolho-me na mais profunda interiorização em busca do balsamo secreto, esse recolhimento não me deixa a margem de nada, estou atenta! Se ainda assim, quiseres dizer de mim... Estejam à vontade. Mesmo que eu não seja “ouvido”, serei complacente com a opinião de todos e me farei “boca” num lindo sorriso, mas não mudarei meu jeito de ser.
Se o meu momento for de atravessar desertos, irei à busca do Oásis, estarei leve, areia fina entre os dedos dos que pensam que me aprisionam com seus rótulos e preconceitos. Correrei mundo, serei vôo constante, e o vento será minha única companhia na aventura de ir, assim desbravarei os recantos do mundo gigante que não se esgota e não se dilui, apenas dorme em mim... Dorme em mim...
Saibam pessoas, a minha janela tem cortinas finas e estará sempre aberta, podem entrar com o sol, a noite enluarada, o assobio do vento ou com suas dúvidas e seus medos...
A disposição para os amigos é constante, mesmo os de opinião diferente, que se bifurcam num caminho qualquer, não me aflora os ânimos, respeito à diversidade de opiniões, respeito...
Então, digam o que desejarem! Sou melodia e assim como a melodia, sou conjunto de notas formando uma escala musical e, por conseguinte, meu hino.


Autora: Rubia

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Amiga SOS Lemos





Pessoa ímpar é difícil de mensurar, porque pessoa impar não tem começo, nem meio, nem fim, é pessoa circular, aquece num abraço, num olhar e basta uma palavra para nos trazer a PAZ, são mesmo indefiníveis, desencadeantes de tudo que é bom...
Essas pessoas nos invadem no silêncio gritante das nossas almas e trás consigo tanta luz, tanta paz as nossas angustias que nos harmoniza e nos acalma. São pessoas raras, iguais a pedras preciosas ainda escondidas em alguma rocha mãe, tem um valor imensurável...
Geralmente são pessoas tímidas, discretas, mas tão imensamente humanas que seus possíveis defeitos são invisíveis diante de tanta graça, sabedoria, ternura e quantos mais predicados existir. Elas são conhecedoras do nosso olhar, da nossa expressão corporal e da nossa alma, pessoas caras não têm distancias, viajam no pensamento, na cumplicidade do olhar, num meio sorriso, ou num sorriso e meio.
O dia pode está uma chatice, mas o telefone toca, muitas vezes nem são novidades, mas empolga e nos faz feliz. Ter ao nosso redor pessoas que fazem a diferença é realmente muito bom, por esse motivo compreendi na casa de alguns anos que a experiência nos trás, que não precisamos de um montão deles, basta um, dois ou três, mas que seja realmente aquele amigo, que quando o seu mundo está escuro, a luz da sua sabedoria, do seu sentimento fraterno, trás o sol para o nosso dia e tudo fica bem. Conhecemos realmente um amigo quando o sentimos inserido no melhor de nós.
Beijo enorme amiga!

Autora:Rubia

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Outubro, meu espelho...

Mais um ano. Espelhoooooo fique bem longe de mim, não te preciso. Ou será que te preciso? Tenho que decidir? Precisooooooo! A minha vaidade precisa olhar minúcias, conferir verdades, checar o brilho e a rigidez... Outubro que se guarda e se revela há décadas, outubro das renovações e checagens, outubro que me queres ver inteira e fragmentada...
No espelho de outubro me vejo sempre diferente dos outros meses, evaporo desejos, me sinto mais próxima do fim, mas termino não dando confiança ao espelho de outubro, porque todo fim pode ter outros começos, e eu adormeço pra sonhar meus sonhos reais. Então, que venha outubro e seu espelho e me veja: Intuitiva ou confusa, doce ou feliz, gritante ou expansiva, boba, louca ou aprendiz. Será que necessariamente nessa ordem? Creio que não, não necessariamente finita, apenas atravessando opostos existentes no clarão das ideias nascentes no córrego do meu jardim de rosas vermelhas e girassóis...
Outubro sabe dos meus dilemas de cada ano, das minhas crenças, dos meus delírios. O espelho me faz ver que cada outubro é diferente, algo sempre muda e mutante procuro ser para acompanhar de forma participativa e crítica qualquer trajetória. De outubro a outubro encaro o espelho criticamente, e o espelho me mostra além do que está aparente, me mostra indefinida. Em outubro questiono mais, deliro mais, fico mais frenética e impaciente. Sou igual a uma enorme árvore de um só tronco com seus múltiplos galhos e suas folhas amareladas, novas, verdes, vivas. ¿Sou? Sim! Verdes, vivas são a minha busca e teimosia, a minha impaciência, o meu descontrole de medos extremos que serve para abastecer a curiosidade em desvendar tesouros, em desvendar meus “Eus” no meu silencio e no meu grito.
Ao espelho de outubro confidencio: Sou, sou, sou o que quero ser, se pondero é porque quero se vou é porque quero o meio termo entre ir ou ponderar, eu decido, eu decido! Outubro, meu espelho, sou completude.






Autora;Rubia

sábado, 26 de setembro de 2009

Menina de Laçarotes




Das flores que ajudastes a plantar na janela do meu coração apaixonado e confiante em ti, Lembro como se fosse hoje, das gotas orvalhada que dançavam bolero nutrindo desejo e admiração... Até agora posso sentir o seu perfume... Tão belo e inebriante o aroma exalado que parecia nunca ter fim.
Das flores, sejam elas de qualquer cor, formato e beleza, trago a presença marcante de muitas horas, doces e salgadas, mãos nas mãos, olhos nos olhos, palavras proferidas por mim, e tão sabiamente completadas por você, meu companheiro, conhecedor do meu avesso.
Das flores campais, que ornamentavam balançantes a nossa estrada, muitas vezes de aparente fragilidade, renasciam singelas e resistentes verão a verão, e quando suas folhas amareladas caiam, enriquecia o solo dos nossos pés incansáveis de ir, não importávamos saber onde...
Das flores, algumas vezes distraída, sangrei em seus espinhos, dor fina, latejante, mas de fácil esquecimento diante da primavera...
Dos espinhos, portanto, não mais falarei, passarei os olhos na imensidão das minhas lembranças saldáveis, para me redescobrir em muitas Margaridas, Dalias, Violetas, Rosas Rúbias... E, mais, da minha janela envidraçada, resolvi não ser apenas contemplativa, algumas vezes os espinhos ardem no meu coração, mas na minha alma floresce sempre ramalhetes de alternativas, germinando no brio do peito de menina de Laçarotes que fui, sou e serei, ainda que os anos por vir levem muito de mim...
É certo, com o tempo, aprendi com as flores que precisamos de cultivo, de olhos admiradores, mãos acolhedoras e colhedoras, poetas que nos cante em prosa e versos, lua banca e linda com luminosidade discreta em noites de silencio.
E ”Para não dizer que não falei das flores”, que numa noite estrelada e morninha plantamos em nosso jardim, e quando o sol as aqueceu, brotaram e cresceram, a cada dia e em cada hora, na direção da luz, saiba, continuarei o meu caminho de girassóis, porque só aprendi a dar adeus às ilusões sorrindo e cantando, mesmo que dentro de mim queime centelhas, clarão de esperanças já em brasas prestes a carvão. Sou de laçarotes...Muitas vezes, meninaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa


Autora: Rubia

domingo, 16 de agosto de 2009

Como um e-mail tem o poder de interagir... Ugh, ugh...



Repugnância foi a primeira impressão... Dia desses recebi um e-mail de um amigo que sempre me envia e-mails diversificados, seja de curiosidades, política, atualidade, gênero, do seu universo profissional e até de coisas bizarras, como esse... Quem me conhece sabe, tenho o estômago sensível, e quando me deparei com esse e-mail senti de imediato “apagar as lamparinas do meu juízo”, não pude deixar de sentir nojo. O título era sugestivo ”BONA PETITE”, pensei se tratar de alguma iguaria deliciosa, quem sabe em anexo viria até uma receita que pudéssemos saborear em algum dia singular, mas que nada! A cena era de um sujeito que se exibia a deliciar uma lagartixa, aliás, uma não duas! Não continuei a ver... Alguns dias relembrando a cena me pus a fazer alguns questionamentos, tipo: o que leva uma pessoa a fazer isso? Condição econômica? Sim, quem não sabe ou já leu artigos, viu alguma matéria sobre a miséria e suas mazelas? Culturas diferentes? Gostos e modo de vida distinta? Pois sim... Não sou uma pessoa bitolada, e não acho que esse tipo de situação não exista, mas que é chocante ver pode crer que é! Na China, por exemplo, quem já não ouviu falar que os chineses apreciam comidas exóticas? Espetinhos de bicho da seda fritos, testículos de bode, que segundo eles, essa iguaria serve para melhorar a fertilidade, além de tudo, ainda têm os famosos churrasquinhos de cobra, escorpiões, centopéias, Ugh, ugh... São diferenças culturais, e qualquer criança em idade escolar, sabe disso, mas mesmo assim é chocante de ver, PODE CRER! Enfim, dias se passaram para que eu resolvesse passar por cima dos meus preconceitos, pré-noções, pré TUDO, para resolver abrir novamente o e-mail, talvez por esse motivo não tenha de imediato dado o comando “Delete”, porque no íntimo sabia que voltaria a abri-lo. Eu me conheço, por mais aterrorizante e repugnante que possa ter sido ver essa cena inusitada, eu gosto de me superar sempre. Numa tarde ensolarada, sentei-me diante do PC disposta! Ali estaria só eu e o homem bizarro das lagartixas. Que nada! Ali estaria eu, o homem bizarro das lagartixas e os meus filhotes atentos a toda cena. Eu e o meu mais velho, não deixamos um só segundo de emitir sons de repulsa e horror ao ver aquela figura desdentada tentar mastigar aquela coisa com alguns poucos dentes, mas o que me surpreendeu mais ainda, foi ouvir o meu filho caçula tentar a cada instante nos acalmar dizendo: __ já comeu manhinha, já era a lagartixa! O admirei por isso, a tão sonhada e discutida impessoalidade dos cientistas nos olhos examinadores do meu garoto, e o que para alguns poderia ser tachado de frieza, eu tachei de centralidade e autocontrole de dá inveja. Mas, como tinha decidido ver o e-mail até o final, meus olhos quase não creram no que viam, quando surpreendentemente ele, o bizarro, retirou de um saco, a última e pavorosa iguaria. “Um rato” essa foi demais, entre risos, gritei: ___Que horror! Ficamos os três com olhos grudados no monitor. Meu pequeno? Agora, visivelmente espantado disse: ___ Mãe, já era um rato... Ugh, ugh...


Autora;Rubia

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Sou simples e disposta para as boas coisas. Amo o belo, mas a minha admiração maior é na alma. Por isso eu escrevo, e como diz Clarice... "Escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro...” Então, eu vou desabrochando a cada dia, com esperança, determinação, amor no corazón, tecendo minha vida, tal como uma linda aranha tece a sua fenomenal teia... Escrevo, sobretudo, "Porque encontro nisso um prazer que não consigo traduzir. Não sou pretensiosa. Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando"... Romântica? Profunda? Complexa? Não sei, traduza-me...