segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Outubro, meu espelho...

Mais um ano. Espelhoooooo fique bem longe de mim, não te preciso. Ou será que te preciso? Tenho que decidir? Precisooooooo! A minha vaidade precisa olhar minúcias, conferir verdades, checar o brilho e a rigidez... Outubro que se guarda e se revela há décadas, outubro das renovações e checagens, outubro que me queres ver inteira e fragmentada...
No espelho de outubro me vejo sempre diferente dos outros meses, evaporo desejos, me sinto mais próxima do fim, mas termino não dando confiança ao espelho de outubro, porque todo fim pode ter outros começos, e eu adormeço pra sonhar meus sonhos reais. Então, que venha outubro e seu espelho e me veja: Intuitiva ou confusa, doce ou feliz, gritante ou expansiva, boba, louca ou aprendiz. Será que necessariamente nessa ordem? Creio que não, não necessariamente finita, apenas atravessando opostos existentes no clarão das ideias nascentes no córrego do meu jardim de rosas vermelhas e girassóis...
Outubro sabe dos meus dilemas de cada ano, das minhas crenças, dos meus delírios. O espelho me faz ver que cada outubro é diferente, algo sempre muda e mutante procuro ser para acompanhar de forma participativa e crítica qualquer trajetória. De outubro a outubro encaro o espelho criticamente, e o espelho me mostra além do que está aparente, me mostra indefinida. Em outubro questiono mais, deliro mais, fico mais frenética e impaciente. Sou igual a uma enorme árvore de um só tronco com seus múltiplos galhos e suas folhas amareladas, novas, verdes, vivas. ¿Sou? Sim! Verdes, vivas são a minha busca e teimosia, a minha impaciência, o meu descontrole de medos extremos que serve para abastecer a curiosidade em desvendar tesouros, em desvendar meus “Eus” no meu silencio e no meu grito.
Ao espelho de outubro confidencio: Sou, sou, sou o que quero ser, se pondero é porque quero se vou é porque quero o meio termo entre ir ou ponderar, eu decido, eu decido! Outubro, meu espelho, sou completude.






Autora;Rubia

sábado, 26 de setembro de 2009

Menina de Laçarotes




Das flores que ajudastes a plantar na janela do meu coração apaixonado e confiante em ti, Lembro como se fosse hoje, das gotas orvalhada que dançavam bolero nutrindo desejo e admiração... Até agora posso sentir o seu perfume... Tão belo e inebriante o aroma exalado que parecia nunca ter fim.
Das flores, sejam elas de qualquer cor, formato e beleza, trago a presença marcante de muitas horas, doces e salgadas, mãos nas mãos, olhos nos olhos, palavras proferidas por mim, e tão sabiamente completadas por você, meu companheiro, conhecedor do meu avesso.
Das flores campais, que ornamentavam balançantes a nossa estrada, muitas vezes de aparente fragilidade, renasciam singelas e resistentes verão a verão, e quando suas folhas amareladas caiam, enriquecia o solo dos nossos pés incansáveis de ir, não importávamos saber onde...
Das flores, algumas vezes distraída, sangrei em seus espinhos, dor fina, latejante, mas de fácil esquecimento diante da primavera...
Dos espinhos, portanto, não mais falarei, passarei os olhos na imensidão das minhas lembranças saldáveis, para me redescobrir em muitas Margaridas, Dalias, Violetas, Rosas Rúbias... E, mais, da minha janela envidraçada, resolvi não ser apenas contemplativa, algumas vezes os espinhos ardem no meu coração, mas na minha alma floresce sempre ramalhetes de alternativas, germinando no brio do peito de menina de Laçarotes que fui, sou e serei, ainda que os anos por vir levem muito de mim...
É certo, com o tempo, aprendi com as flores que precisamos de cultivo, de olhos admiradores, mãos acolhedoras e colhedoras, poetas que nos cante em prosa e versos, lua banca e linda com luminosidade discreta em noites de silencio.
E ”Para não dizer que não falei das flores”, que numa noite estrelada e morninha plantamos em nosso jardim, e quando o sol as aqueceu, brotaram e cresceram, a cada dia e em cada hora, na direção da luz, saiba, continuarei o meu caminho de girassóis, porque só aprendi a dar adeus às ilusões sorrindo e cantando, mesmo que dentro de mim queime centelhas, clarão de esperanças já em brasas prestes a carvão. Sou de laçarotes...Muitas vezes, meninaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa


Autora: Rubia

domingo, 16 de agosto de 2009

Como um e-mail tem o poder de interagir... Ugh, ugh...



Repugnância foi a primeira impressão... Dia desses recebi um e-mail de um amigo que sempre me envia e-mails diversificados, seja de curiosidades, política, atualidade, gênero, do seu universo profissional e até de coisas bizarras, como esse... Quem me conhece sabe, tenho o estômago sensível, e quando me deparei com esse e-mail senti de imediato “apagar as lamparinas do meu juízo”, não pude deixar de sentir nojo. O título era sugestivo ”BONA PETITE”, pensei se tratar de alguma iguaria deliciosa, quem sabe em anexo viria até uma receita que pudéssemos saborear em algum dia singular, mas que nada! A cena era de um sujeito que se exibia a deliciar uma lagartixa, aliás, uma não duas! Não continuei a ver... Alguns dias relembrando a cena me pus a fazer alguns questionamentos, tipo: o que leva uma pessoa a fazer isso? Condição econômica? Sim, quem não sabe ou já leu artigos, viu alguma matéria sobre a miséria e suas mazelas? Culturas diferentes? Gostos e modo de vida distinta? Pois sim... Não sou uma pessoa bitolada, e não acho que esse tipo de situação não exista, mas que é chocante ver pode crer que é! Na China, por exemplo, quem já não ouviu falar que os chineses apreciam comidas exóticas? Espetinhos de bicho da seda fritos, testículos de bode, que segundo eles, essa iguaria serve para melhorar a fertilidade, além de tudo, ainda têm os famosos churrasquinhos de cobra, escorpiões, centopéias, Ugh, ugh... São diferenças culturais, e qualquer criança em idade escolar, sabe disso, mas mesmo assim é chocante de ver, PODE CRER! Enfim, dias se passaram para que eu resolvesse passar por cima dos meus preconceitos, pré-noções, pré TUDO, para resolver abrir novamente o e-mail, talvez por esse motivo não tenha de imediato dado o comando “Delete”, porque no íntimo sabia que voltaria a abri-lo. Eu me conheço, por mais aterrorizante e repugnante que possa ter sido ver essa cena inusitada, eu gosto de me superar sempre. Numa tarde ensolarada, sentei-me diante do PC disposta! Ali estaria só eu e o homem bizarro das lagartixas. Que nada! Ali estaria eu, o homem bizarro das lagartixas e os meus filhotes atentos a toda cena. Eu e o meu mais velho, não deixamos um só segundo de emitir sons de repulsa e horror ao ver aquela figura desdentada tentar mastigar aquela coisa com alguns poucos dentes, mas o que me surpreendeu mais ainda, foi ouvir o meu filho caçula tentar a cada instante nos acalmar dizendo: __ já comeu manhinha, já era a lagartixa! O admirei por isso, a tão sonhada e discutida impessoalidade dos cientistas nos olhos examinadores do meu garoto, e o que para alguns poderia ser tachado de frieza, eu tachei de centralidade e autocontrole de dá inveja. Mas, como tinha decidido ver o e-mail até o final, meus olhos quase não creram no que viam, quando surpreendentemente ele, o bizarro, retirou de um saco, a última e pavorosa iguaria. “Um rato” essa foi demais, entre risos, gritei: ___Que horror! Ficamos os três com olhos grudados no monitor. Meu pequeno? Agora, visivelmente espantado disse: ___ Mãe, já era um rato... Ugh, ugh...


Autora;Rubia

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Meu caminho




Sentimentos de esperança e arroubos bobos o tempo não rouba de mim, mesmo que a vidraça esteja por vezes embaçada, procuro no horizonte o vôo do pássaro, fênix do amanhã. É assim que vou fazendo a minha história, pois, vivo de sutilezas, enquanto vou tecendo a manta, cobertor de lã, que me aquece o frio da alma. Penso baixinho: porque será que nunca concluo o livro, denso, convidativo, sempre inacabado, final não se faz? Acho que é porque tenho os olhos rasos, de sol, sal e mar... E nesse impasse, entre concluir um livro e viver a minha história, vou deixando o tempo levar com as espumas salgadas, pedregulhos, conchas, caramujos, siris, estrelas, sargaços e a minha silhueta a vagar. Mas, nem tudo me encabula, pois tenho a boca metálica que se abre brilhante transmitindo e extraindo coisas boas, sussurrando, até gritando muitas vezes. O grito... Ele é terapia para quem não quer ser sempre controlada. E entre uma vírgula e outra do texto da minha vida, um belo grito é acalento do som. Afinal, o que seria do silêncio sem o som de um grito. Ora, pois, pois!
Sinto-me sempre assim, gritante, ressurgindo de uma bola de fogo, que aquece a água fria, amorna a temperança, e deixa-me cada vez mais encantada com o brilho da luz neon que clareia de forma elegante o meu caminho e o “seu brilho silencia todo som”
Fui...


Autora:Rubia

quarta-feira, 24 de junho de 2009

DEVANEIOS

Será que podemos dizer que D E V A N E I O S são ruídos? E esses ruídos que nos fala são parte do silencio que nos consome, ou consumiu ou consumirá um dia? O que acontece com nós enquanto caminhamos por nossos pensamentos? As pessoas vivenciam coisas tão semelhantes e ao mesmo tempo tão desiguais na forma de pensar, agir... E mesmo com tanta familiaridade de exemplos é impossível certas vezes não sentirmos medo na ultrapassagem de algum beco, povoados por gatos, sejam eles, brancos, pardos, amarelos ou pretos, na noite escura não faz muita diferença...
Nessas horas consumidas em dias nublados quando nos atrevemos a percorrer os labirintos inimagináveis dentro do desconhecido íntimo, não tem jeito, nem hora, mesmo que sejam as cinco da matina, abrimos a janela e sentimos a brisa fria cortar a carne quente. Atreva-se!
Não importa se ao longe a relva verdinha ainda escura te faz pensar coisa que também está escuro... Ainda que secreta, quieta, a coisa escura estará lá... Nesses instantes em que o céu se abre lento, saudando-nos com seu crepúsculo, o tic tac do relógio nos confirma mecânico, que outro dia começa, e o ciclo vira.
É exatamente assim que acontece, você e você, e ninguém mais, assim como um processo fenomenológico, onde o objeto é como você o percebe, como você vai construindo a sua consciência a partir da interpretação silenciosa ou não, da sua vida. Na verdade, não existe fórmula, nem acertos, nem promessas, apenas a vida latente que se abre e se forma dia após outro, excitante nas descobertas, profundo nas tristezas e alegrias que te faz ser outro e outro e outro e outro... Metamorfose.
Nesses dias de plenos D E V A N E I O S você se redescobre em muitos amigos, parentes, pessoas próximas e às vezes nem tão próximas assim, o fato é que nessas pequenas observações silenciosas retorcidas se constrói a obra inteira! Você!


Autora: Rubia

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Sou simples e disposta para as boas coisas. Amo o belo, mas a minha admiração maior é na alma. Por isso eu escrevo, e como diz Clarice... "Escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro...” Então, eu vou desabrochando a cada dia, com esperança, determinação, amor no corazón, tecendo minha vida, tal como uma linda aranha tece a sua fenomenal teia... Escrevo, sobretudo, "Porque encontro nisso um prazer que não consigo traduzir. Não sou pretensiosa. Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando"... Romântica? Profunda? Complexa? Não sei, traduza-me...